Aparecem frequentemente outros nomes para designar entidades/espaços semelhantes (na natureza, nos métodos e nos objectivos) embora, por vezes, com focos distintos. Por exemplo:
Mindlabs,
Innovation Centers,
Innovation Labs,
Creativity Rooms,
Creativity Labs,
Future Zones ou
Solution Rooms.
1. O que é um Future Center?
As organizações enfrentam uma necessidade crescente de introdução de novos produtos, serviços e soluções e de reinvenção permanente.
Leif Edvinsson define
Future Centers da seguinte forma:
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“The Future Centers are tools for testing ideas, organizational technologies and structural designs for renewal. They are an arena and space for rapid prototyping on a limited, low-cost level. By pooling the cerebral resources of various interested parties, they can also optimize the critical factors of networking and interactive knowledge communities.”
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Os
Future Centers são:
- Instrumentos poderosos para a Economia do Conhecimento e Espaços para a inovação e para aumentar e aplicar o capital intelectual das organizações, sectores, regiões e países. Os Future Centres, pela sua estrutura, equipa e métodos utilizados incentivam uma postura criativa e inovadora face às questões em análise. Os processos são concebidos e implementados tendo em conta as especificidades das pessoas e organizações – quer participantes quer utilizadores finais. São utilizados por organismos públicos para desenvolver e testar soluções focalizadas no cidadão e simular futuros possíveis, bem como as consequências futuras de decisões políticas tomadas no presente, com o envolvimento, alinhamento e motivação dos stakeholders. São utilizados pelas empresas para aumentar o foco no cliente/utilizador e a qualidade de novos produtos e serviços e para testar as suas estratégias de negócio, simulando diferentes enquadramentos estratégicos possíveis. Podem ser utilizados por dirigentes de topo e/ou por qualquer outro grupo de quadros das organizações, por exemplo para desenvolverem e testarem novas formas, métodos e ferramentas de trabalho.
- Ambientes de trabalho e de reflexão altamente participativos onde conhecimento e insight (do passado e do futuro e das diferentes perspectivas/sensibilidades dos participantes) é aplicado à resolução de problemas reais. São utilizados em organizações cujo foco é a resolução de problemas, a escolha das melhores decisões e a inovação (novos processos, produtos ou serviços). Lidam com pessoas e questões reais nas organizações. São importantes para pessoas, equipas e organizações que procuram respostas atempadas, novas ideias e direcções, e que trazem novas questões mas também a sua inteligência, criatividade e energia para os processos. Os Future Centers informam e facilitam o processo de tomada de decisão nas organizações. Locais de trabalho e de encontro especialmente organizados para ajudarem organizações e equipas a lidar com a incerteza de uma forma pró-activa, colaborativa e sistemática. São utilizados para criar e aplicar conhecimento, desenvolver inovações com aplicação prática, resolver problemas concretos, desenvolver um contacto mais próximo entre os cidadãos e o Governo/Administração e entre utilizadores/clientes com prestadores de serviços e a indústria. São espaços “neutros”, distintivos, confidenciais e estimulantes para processos de tomada de decisão, planeamento, facilitação e mentoring.
- Organizações com uma orientação explícita para o futuro e uma abordagem high-tech high touch. Nos Future Centers as questões do presente são abordadas numa lógica prospectiva (sendo sempre para decidir hoje!). O bem-estar e o conforto andam lado-a-lado com trabalho árduo e pressão para a obtenção de resultados com prazos e recursos limitados. O pensamento criativo é associado ao pensamento crítico (mas não confundido com ele) para a obtenção dos melhores resultados. É conscientemente colocada ênfase no poder dos interfaces – high-tech e high-touch, público e privado, cidadãos e Administração, pessoas e tecnologia - e na diversidade (de conhecimentos, de formação, de cultura, de geração, de género, etc.).
Saliente-se que o foco dos processos e das sessões organizadas em Future Centers está sempre associado à obtenção de resultados concretos.
Apesar da grande diversidade de projectos desenvolvidos em Future Centers, muitos deles têm normalmente a ver com:
- Ganhar uma visão global e desenvolver novas perspectivas, opções e respostas relativamente a assuntos estratégicos;
- Compreender o jogo de actores e definir estratégias de acção;
- Mobilizar e alinhar actores;
- Desenvolver novas opções e instrumentos de política. Particularmente relevante, neste caso, é o papel potencial dos Future Centers como “ferramenta” ao serviço da concepção e implementação de Programas e Instrumentos de Políticas Públicas, particularmente nas fases mais exigentes desses processos em termos de competências de Prospectiva, Estratégia e Inovação (exs: Políticas Públicas em domínios ligados à Inovação e ao Empreendedorismo, Planos nacionais generalistas e temáticos, Planos de carácter regional/territorial);
- “Prototipagem” de novos produtos, serviços, conceitos e “experiências” e teste rápido da implementação de novos produtos, serviços, ideias;
- Aumentar a cooperação interna em organizações/equipas.
2. Outputs/ Resultados Esperados
Os
outputs dos processos geridos por/nos Future Centers podem ser tão diversos como:
- Decisões relativas a escolhas estratégicas e follow-up;
- Visões (intenções) Estratégicas;
- Planos Estratégicos;
- Novos projectos;
- Baterias de indicadores avançados/de antecipação;
- Protótipos físicos e/ou virtuais de opções de política, novos produtos, processos e/ou serviços.
De referir ainda que, regra geral, os processos são documentados em diversos formatos (relatórios tradicionais, vídeo, fotográfico, etc.).
Para além dos outputs indicados é essencial referir os resultados menos “imediatos” mas, muitas vezes, mais estruturais e decisivos, tais como:
- Mobilização, alinhamento, aumento do respeito, compreensão e confiança no seio de equipas de trabalho intra ou inter organizações/sectores/regiões;
- Aumento da capacidade de aprendizagem e da “conversação estratégica” nas organizações;
- Capacidade de reperceiving the future (questionar o “futuro oficial”) e de trabalhar modelos mentais;
- Experienciação e aprendizagem de novos métodos e técnicas de Criatividade, Inovação, Prospectiva e Estratégia;
- Networking.
3. Sessões e Processos Organizados em Future Centers
As sessões e os processos organizados em
Future Centers assumem formas muito diversas, sendo concebidos e adaptados aos objectivos e natureza do projecto/questões a tratar e às características dos clientes.
Para tal são desenhados e implementados, em colaboração com as organizações e equipas “clientes”, processos que combinam diversos métodos e ferramentas para aumentar a criatividade, considerar múltiplas perspectivas, fazer o
scanning de informação, reconhecer padrões e
blindspots, simular futuros possíveis, melhorar a cooperação entre equipas e a eficiência da tomada de decisão estratégica.
Associado a estes processos pode estar o desenvolvimento de uma
toolbox nas áreas da Prospectiva, Inovação, Criatividade e Estratégia contribuindo para o domínio de um conjunto alargado e diversificado de Métodos e Ferramentas passíveis de serem adaptados e integrados no portfólio de serviços de um
Future Center.
Estes Métodos e Ferramentas podem ser organizados em função do tempo exigido à sua utilização/aplicação; do nível de complexidade associado; e/ou do potencial de integração nos serviços oferecidos pelo
Future Center. A partir daí podem ser desenvolvidos
packages de serviços/“processos-tipo” (exemplos:
Future Lab,
Problem Solving,
Future Workshops,
Vision building,
Idea Generation,
New Product/Service Introduction,
Stakeholder Analysis,
Stakeholder Alignment, Futures
Accelerator,
Vision Competition,
Ideas Combat).
4. Exemplos de Experiencias já Implementadas
Os
Future Centers assumem diferentes formas organizativas, existindo uma grande variedade em operação na Administração Pública Central, ligados a regiões e em empresas. Uma breve visita a alguns sites permite perceber as funcionalidades, os “ambientes” e os serviços oferecidos.
Foi feita uma selecção de alguns exemplos de
Future Centers na Europa enquadrados na Administração Pública Central e com uma amplitude genérica, isto é, não focalizados num determinado sector/actividade:
- Futurefocus: projecto com base no Department for Business, Enterprise & Regulatory Reform - RU;
- Mindlab: projecto conjunto dos Ministérios do Emprego, das Finanças e da Economia - Dinamarca;
- LEF Future Center: projecto do Dutch Ministry of Public Works and Waterways, Holanda;
- The Country House (Het Buitenhuis): site só em holandês; projecto conjunto dos Ministérios da Economia, do Interior, das Finanças e da Habitação, Ordenamento do Território e Ambiente, Holanda;
- netWork Oasis: Joensuu Science Park, Finlândia;
- InnovaLab Bilbao: Espanha;
- Academie SZW: site só em holandês; projecto do Ministério dos Assuntos Socias e Emprego, Holanda;
- Gällöfsta Läroriket: site com informação embora não se trate do site do projecto, que foi implementado após decisão do Parlamento Sueco e que está ao serviço das organizações governamentais e outras na Suécia.
5. Notas Finais
Tendo em conta o que foi descrito neste texto torna-se claro que um Future Center exige um conjunto variado de competências:
- Organizacionais: estabelecer, gerir e melhorar continuamente a actividade do Future Center e a criação de valor do espaço e dos projectos;
- Tecnológicas: utilizar as novas tecnologias (por exemplo: TICs, materiais) para optimizar o impacto do Future Center e atingir os seus objectivos;
- Físicas/Espaciais: desenhar e construir um espaço que promova a inovação, a criatividade, as actividades colaborativas, a reflexão e a concentração no trabalho e na resolução de problemas. Podem ser espaços dedicados em edifícios já existentes e com múltiplas funções ou em edifícios especiais/dedicados;
- Metodológicas: escolher, adaptar, integrar e implementar ferramentas da Criatividade, Inovação, Prospectiva, Estratégia, e de outras disciplinas, para optimizar os resultados dos processos geridos pelo e no Future Center.
É claro também, no entanto, que
são estruturas únicas que concentram em si competências chave para a mobilização de talentos, trabalho em equipa e em co-criação, focando a sua acção na resolução de problemas e apelando quer ao pensamento criativo quer ao pensamento crítico, características essenciais para o posicionamento das economias, das organizações e das equipas de trabalho numa economia baseada no conhecimento no século XXI.
| * António Alvarenga (antonio@dpp.pt) tem experiência de coordenação de projectos e workshops em técnicas e métodos de Prospectiva Estratégica e construção e Planeamento por Cenários. Licenciou-se em Economia pela FEP - Porto e concluiu o DEA em Estudos Económicos Europeus do Colégio da Europa (Bruges). Encontra-se actualmente a trabalhar no Doutoramento na Universidade Jean Moulin Lyon 3 na área da Prospectiva Estratégica. |
terça-feira, 9 de Junho de 2009