A gestão do conhecimento assume, assim, e cada vez mais um papel de relevo na saúde das organizações deste século. Não basta apostar numa política de fomento da partilha do conhecimento assente em avançadas plataformas tecnológicas que suportam os sistemas de informação. Não menosprezando a importância destes sistemas de informação no processo de captação, criação e partilha e conhecimento, dado que ultrapassam barreiras de tempo e espaço, facilitando o acesso à informação, por si só, de pouco servem quando se pretende maximizar a
performance de uma organização.
A imposição mais ou menos formal de utilização de sistemas de informação que funcionam como repositório do conhecimento numa organização, nem sempre se traduz nos melhores resultados. O conhecimento tácito, pertença de cada indivíduo, é de tal forma valioso que na maioria das vezes não é facilmente partilhado. É neste cenário que a análise das redes sociais existentes nas organizações assume especial importância. É através da interpretação das relações de colaboração na partilha de conhecimento de uma organização, que os gestores podem ajustar as suas estratégias de forma a conseguirem benefícios e resultados efectivos. As redes sociais contribuem em muito para a compreensão das razões que conduzem a que determinados recursos de informação e de conhecimento sejam guardados e outros partilhados.
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A ideia de ligar os indivíduos com base nos seus contactos, desde há algum tempo que tem vindo a ser utilizada nas disciplinas da Sociologia, Psicologia e Antropologia. Por outro lado, o surgimento da Teoria dos Grafos na Matemática contribuiu bastante para o aprofundamento do estudo das relações entre indivíduos e o seu rápido crescimento possibilitou, nos dias de hoje, a utilização de técnicas analíticas de SNA –
Social Network Analysis (Análise de Redes Sociais) cujos resultados são facilmente interpretados pela capacidade de visualização que facultam. Na
Web conseguimos encontrar ferramentas de acesso gratuito (
Netdraw;
Ucinet), que permitem facilmente efectuar o mapeamento do conhecimento tácito de uma organização.
Ferramenta de Gestão
A análise de redes sociais constitui uma importante ferramenta de apoio à gestão do conhecimento numa organização, no sentido em que permite efectuar um diagnóstico dinâmico da partilha de conhecimento existente. Com esta informação, os gestores conseguem, de uma forma mais adequada, resolver problemas que emergem da desadequação de partilha de informação e conhecimento, melhorando a
performance dos grupos e indivíduos numa organização.
Possibilita identificar quem ocupa um lugar central numa organização e que, por legitimidade, é frequentemente procurado por colegas para esclarecer determinado tipo de questões técnicas, dado revelar abertura à colaboração. Por outro lado, pode identificar aquele tipo de indivíduos cujo perfil revela uma tendência para guardar informação, demonstrando frequentemente grande dificuldade em colaborar num ambiente de partilha de conhecimento, ocupando por conseguinte um lugar periférico na organização.
Em resumo, a sua utilidade é visível nas seguintes situações:
- Numa efectiva promoção e colaboração de partilha de conhecimento entre elementos de um determinado grupo, o qual desempenha funções fulcrais numa organização;
- No suporte a conjunturas críticas, resultantes da existência de fronteiras funcionais, hierárquicas ou geográficas;
- Na possibilidade de permitir a integração de determinados indivíduos, pela identificação do seu papel periférico na rede.
Qualidades Relacionais
As qualidades a considerar são o
conhecimento, o
acesso, o
envolvimento e a
segurança que cada um dos indivíduos numa organização descreve relativamente aos demais indivíduos na rede.
O
conhecimento que cada indivíduo detém sobre as qualidades e especialidades de outros indivíduos dentro de uma organização é determinante na resolução de problemas decorrentes de uma actividade profissional, ao possibilitar a cada membro de uma rede identificar correctamente quem poderá vir a colaborar na resolução dos seus problemas.
A
acessibilidade constitui um factor determinante de sucesso na partilha de conhecimento, na medida em que de nada serve termos conhecimento sobre a especialidade dos outros indivíduos, se estes não puderem colaborar connosco num tempo suficientemente útil para a concretização dos projectos em que estamos envolvidos.
A disponibilidade de cada indivíduo de uma organização no
envolvimento de um determinado problema crítico de sucesso de um projecto depende de um conjunto de condicionantes. Para além do importante papel que as tecnologias podem desempenhar ao colocarem os indivíduos frente a frente, ultrapassando de alguma forma barreiras de acessibilidade, interessa saber como conseguir maximizar o seu envolvimento na resolução de problemas. Neste ponto, considera-se como determinante a criação de um conjunto de normas de reciprocidade e confiança que façam do envolvimento e partilha de conhecimento um processo natural de estar numa organização.
Se as qualidades até agora referidas assumem um papel preponderante numa análise da rede social, não menos importante se torna observá-la do ponto de vista da
segurança que os actores sociais encontram na partilha do seu conhecimento com os demais membros de uma organização. A segurança que se deposita num outro indivíduo assenta em grande parte na confiança que lhe é atribuída, quer em termos do uso dado aos conhecimentos passados, como também na reciprocidade da acção em situações futuras.
Conclusão
Compreender como o conhecimento fluí (ou mais frequentemente não flui) ao longo das várias fronteiras de uma organização pode facilitar uma visão crítica onde a gestão deve focar os seus esforços na promoção de colaboração.
O entendimento que se tem sobre quem tem um papel central num grupo pode ajudar os gestores a perceber porque não fluí o conhecimento numa organização ou, por outro lado, a maximizar a afectação de recursos cujas experiências evidenciaram um papel potenciador de partilha de conhecimento, e tentar “decalcar” essas praticas em zonas da rede em que se verifica uma dispersão nos contactos entre indivíduos.
Este tipo de práticas pode marcar a diferença entre o sucesso e o insucesso de projectos que requerem um elevado grau de envolvimento e de partilha de conhecimento entre indivíduos de uma organização. Se esta realidade é visível na esfera do sector privado, é inquestionável a sua crescente importância no sector público.
A
Rede TIC – Rede Interminsterial para as Tecnologias de Informação e Comunicação é um excelente exemplo de uma iniciativa pública, que, através das sub-redes temáticas, envolve sistematicamente os seus participantes na promoção de uma partilha criativa ao nível do conhecimento, fazendo-o de forma segura e acessível. Cabe-nos a todos nós zelar pelo sucesso desta iniciativa, participando de forma mais ou menos activa, directa ou indirectamente. Os seus resultados serão visíveis a médio ou longo prazo e, mais do que isso, sentidos por todos os cidadãos no seu dia-a-dia.
Referências:
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Borgatti, Steve, Everett, M. G e Freeman, L. C. UCINET 6.
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Fernando Marta é licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão, da Universidade Técnica de Lisboa (ISEG/UTL). Tem uma Pós-Graduação em Business Intelligence e Gestão do Conhecimento pelo Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação da Universidade Nova de Lisboa (ISEGI/UNL) e uma Pós-Graduação em Marketing Research pelo Instituto para o Desenvolvimento da Gestão Empresarial do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (INDEG/ISCTE). Desempenha o cargo de Director do Departamento de Projectos e Qualidade do Atendimento da Agência para a Modernização Administrativa, I.P., tendo passado anteriormente pela Equifax Inc. e pelo Banco Mello.
terça-feira, 24 de Agosto de 2010