Webtools: A Saúde da população “ao alcance dos seus dedos”
A iniciativa permitiu o desenvolvimento de várias ferramentas em ambiente
web que, de um modo interativo e acesso livre, disponibilizam informação sobre
a saúde da população e seus determinantes, relevante para todos os setores da
sociedade, para os níveis de decisão regional e local.

Título
Webtools: A Saúde da população “ao alcance dos seus dedos”

Entidade
Administração Regional de Saúde(ARS) do Norte, I.P. – Departamento de Saúde
Pública (DSP)

Entidades parceiras
DSP/DSP e Planeamento das ARS do Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e
Algarve, I.P.

Destinatários/Beneficiários potenciais

  • Profissionais de saúde e decisores do SNS (Agrupamentos de Centros de Saúde,
  • Unidades Locais de Saúde, Hospitais/Centros Hospitalares) e do setor privado da
  • saúde.
  • Autarquias e outras entidades locais (Escolas/Agrupamentos de Escolas, IPSS,
  • ONG, Segurança Social…).
  • Comunidades académica e científica.
  • Cidadãos.

Ponto de Situação
Iniciativa em curso, com o desenvolvimento de várias ferramentas em ambiente
web que, de um modo interativo e acesso livre, disponibilizam informação sobre
a saúde da população e seus determinantes, relevante para todos os setores da
sociedade, para os níveis de decisão regional e local.

Custos envolvidos
Não implicou nem implica custos acrescidos à Instituição, para além dos custos
de funcionamento, uma vez que os profissionais que desenvolvem as webtools
são colaboradores do DSP e as mesmas são construídas explorando todo o
potencial do programa informático Excel®, disponível em qualquer serviço
público.

Taxionomia
Planeamento e Gestão em Saúde
Desenvolvimento da comunidade

Descrição breve

  • Os principais objetivos das webtools são os seguintes:
  • Organizar, tratar e analisar, “em contínuo”, dados/informação relevante
  • proveniente de múltiplas fontes de informação, sobre o estado de saúde da
  • população e seus determinantes;
  • Comunicar dados e/ou informação relevantes sobre o estado de saúde da
  • população e seus determinantes a destinatários-chave pré-definidos (Serviços
  • de Saúde, Comunidades académica e científica da região Norte, Dirigentes,
  • Autarquias e população em geral);
  • Obter ganhos de eficácia e de eficiência no processo de organização,
  • tratamento e disseminação de dados/informação de saúde relevante para a
  • tomada de decisão pessoal, profissional, política e institucional sobre saúde.

A metodologia utilizada tem sido de natureza colaborativa, em articulação com
as Unidades de Saúde Pública dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACeS)/
Unidades Locais de Saúde(ULS) da região Norte e, desde 2012, também em
articulação com os DSP/DSPP das restantes ARS do Continente.

Descrição pormenorizada
Em 2007 os dados relativos à saúde da população e seus determinantes
encontravam-se dispersos por diferentes e múltiplas bases e fontes de
informação dentro (Direção Geral da Saúde, Administração Central do Sistema
de Saúde, Instituo Nacional de Saúde, ARS e vários sistemas de informação em
uso nos serviços de saúde públicos, entre outros) e fora (Instituto Nacional de
Estatística, Instituto da Segurança Social, Instituto de Emprego e Formação
Profissional, Ministério da Justiça, Instituto de Reinserção Social, Autarquias,
Direção-Geral de Veterinária, Universidades e centros de investigação, entre
outros) do setor da saúde. Estes dados eram, habitualmente, divulgados de um
modo fragmentado, através de documentos técnicos, apenas acessíveis a um
público restrito e especializado.

A ARS Norte, através do seu DSP, investiu, sobretudo desde o último trimestre
de 2007, na criação das condições que permitiram o desenvolvimento de uma
estrutura simples de informação (a base de evidência) e comunicação sobre
saúde da população (“não haja informação sem comunicação”) que, de um modo
transparente, imediato e acessível a todas as partes interessadas (dentro e fora
do sistema de saúde), informa e apoia os processos de planeamento em saúde e
de tomada de decisão sobre saúde a nível regional e local.

São disto exemplo as ferramentas informáticas (webtools) disponíveis e
facilmente acedidas online no portal da ARS Norte, nomeadamente, as
ferramentas mort@lidades, morbilid@des, desiguald@des e Perfis de Saúde,
estas últimas englobando o Perfil de Saúde da Região Norte e os Perfis Locais de
Saúde1.

O primeiro produto deste trabalho foi o Perfil de Saúde da região Norte, em
2008. Os Perfis Locais de Saúde (PeLS) foram o segundo produto deste trabalho,
passando a estar disponíveis para cada um dos ACeS/ULS da região Norte, desde
julho de 2009. À semelhança do Perfil de Saúde da Região Norte, os PeLS, bem
como todas as restantes webtools, estão disponíveis numa versão interativa e
numa versão editável, acessível pelo portal da ARS Norte, I.P..2

A inexistência dos recursos humanos necessários para a recolha, organização e
tratamento de um grande volume de dados levou a que só em 2012 o DSP da
ARS Norte tivesse capacidade para proceder à primeira atualização dos PeLS, o
mesmo acontecendo em relação às restantes webtools. Houve, assim, a necessidade de repensar a forma da sua atualização, de maneira a esta ser anual, diminuindo o tempo dispensado pelos profissionais e automatizando, ao máximo, os processos neles envolvidos.

Em junho de 2012 teve início o trabalho de colaboração entre os DSP/DSPP das
cinco ARS do Continente, no âmbito da sua função de Observatório Regional de
Saúde da população. Como um dos resultados deste trabalho colaborativo é de
salientar os Perfis Locais de Saúde de Portugal Continental, disponibilizados pela
primeira vez em julho de 2014. Estes constituíram um contributo essencial para
a construção da base de evidência para o planeamento e a tomada de decisão
sobre saúde a nível local no Continente, bem como para o alinhamento das
diferentes agendas (dentro e fora do setor da saúde) com as principais
necessidades de saúde da(s) população(ões), tendo em vista a obtenção de
ganhos em saúde.

Um fator de constrangimento ainda não totalmente resolvido é o do acesso aos
dados, nomeadamente, de mortalidade, essencial à construção e manutenção
destas webtools, de modo a que as mesmas continuem a produzir informação
útil e relevante, sobretudo, para os seus destinatários/utilizadores a nível local,
para uma melhor saúde da população (“melhor informação, melhor decisão,
melhor saúde”).

1 Os "Perfis Locais de Saúde" foram recentemente galardoados com o Prémio "Inovação em Cuidados de Saúde Primários".

2 http://portal.arsnorte.min-saude.pt/

Tecnologia

Como já referido anteriormente, as ferramentas tecnológicas utilizadas foram o
programa informático Excel® aliado a uma programação em Visual Basic, tendo
o seu desenvolvimento sido totalmente interno.

Recomendações
Três fatores críticos para o sucesso deste trabalho foram:

  • O princípio dos “pequenos investimentos com uma Estratégia”: o “pequeno” investimento que a ARS Norte fez em 2007, na contratação de um matemático com um perfil profissional adequado, aliado à definição, por parte do DSP, de uma estratégia clara de informação e comunicação de informação em saúde, para a melhoria da tomada de decisão a nível local, para uma melhor saúde da população, ilustra bem este princípio;
  • O princípio do “make it simple!”: explorar ao máximo o potencial de um programa informático acessível a todos (o Excel®), assegurando, com eficiência, a sustentabilidade futura desta iniciativa, pela não dependência de tecnologias sofisticadas e onerosas, desenvolvidas externamente;
  • O princípio da partilha da informação e do conhecimento: esteve sempre presente nesta iniciativa, quer no trabalho colaborativo com o nível local (sobretudo, Unidades de Saúde Pública dos ACeS/ULS da região Norte), quer no trabalho colaborativo com as restantes ARS (DSP/DSPP), quer no livre acesso por parte de qualquer cidadão.

Próximas Acções
O trabalho de colaboração com as restantes ARS continua a dar os seus frutos,
esperando-se que, até ao final do ano de 2015, estejam concluídos os cinco
Perfis Regionais de Saúde e, em 2016, caso o problema do acesso aos dados de
mortalidade seja resolvido, seja desenvolvida a ferramenta webmort@lidades
para todo o Continente.

Em termos do trabalho desenvolvido pelo DSP da ARS Norte, espera-se que o
ano de 2016 seja marcado pelo desenvolvimento de uma “nova geração” de
ferramentas inéditas mas fiéis aos princípios desta iniciativa, dedicadas à
análise de tendências e realização de prognósticos de saúde da população, quer
a nível regional, quer a nível local. Espera-se que, com estas ferramentas, os
decisores da Administração Pública (e não só), a estes níveis, possam tomar
decisões também com base na construção de cenários futuros.

Ponto de Contacto
Manuela Mendonça Felício – médica de Saúde Pública, responsável pelo
Observatório Regional de Saúde (ORS) do DSP da ARS Norte, I.P..
mfelicio@arsnorte.min-saude.pt

Vasco Machado – matemático, colaborador do ORS e responsável pela
coordenação técnica das webtools.
vmachado@arsnorte.min-saude.pt
telef. - 220411700

Anexos
Os instrumentos desenvolvidos podem ser livremente acedidos através do site
abaixo, clicando no banner lateral. Colocamos a seguir, pela sua importância na
“história” desta iniciativa, o link para uma notícia do jornal O Público, de junho
de 2010.
http://portal.arsnorte.minsaude.

pt/portal/page/portal/ARSNorte/Conte%C3%BAdos/Ficheiros/Noticias/
Jornal_Publico_26JUN2010.pdf

Site
http://portal.arsnorte.min-saude.pt/

Resultados
Como esta iniciativa é para ser desenvolvida “em contínuo”, passamos a
apresentar alguns dos principais resultados alcançados até agora pela mesma.
Com o investimento estratégico no reforço da capacidade de observação de
saúde da população na região, quer a nível regional (DSP), quer a nível local
(USP), a ARS Norte não só democratizou, porque tornou transparente e acessível
a todos, como modernizou e inovou o modo de comunicar dados e informação
sobre saúde da população e seus determinantes na Região a diferentes
audiências, transformando o paradigma da comunicação de dados e informação
em saúde em Portugal. Ao disponibilizar dados e informação desagregados não
só ao nível da região como ao nível dos ACeS/ULS, a ARS Norte facilitou e
reforçou também o acesso do nível local a uma maior base de evidência para o
planeamento e tomada de decisão sobre saúde (“melhor informação, melhor
decisão, melhor saúde”).

No caso específico dos Perfis Locais de Saúde (PelS), tendo como base a
infraestrutura tecnológica e o Modelo criados pela ARS Norte e no âmbito do
trabalho desenvolvido pelos Observatórios Regionais de Saúde dos DSP das
cinco ARS de Portugal Continental, todos os ACeS/ULS do Continente têm um
PeLS disponível, com atualização anual, que permite a todos terem uma base
comum de indicadores de saúde com os quais se podem comparar. Os
profissionais dos ACeS/ULS, em particular das USP, foram libertados das tarefas
de recolha e tratamento de dados, ficando com mais tempo disponível para
outras, nomeadamente, a interpretação e análise desses indicadores e sua
comunicação.

A título de exemplo, a nova versão para a atualização dos PeLS permitiu
substituir a realização de um conjunto de tarefas que eram morosas, repetitivas
e mais sujeitas ao erro humano, por procedimentos informáticos mais
automáticos que trouxeram claros ganhos de eficiência, possibilitando uma
atualização anual.

Em suma, esta iniciativa tem demonstrado que, com base numa infraestrutura
tecnológica simples e de um modo eficaz e eficiente, é possível dotar, de um
modo sustentável, a Administração Pública de ferramentas modernas de apoio a
uma tomada de decisão informada sobre saúde, acessíveis aos demais cidadãos.
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Última atualização: 27-05-2016