Um dia na Prisão
"Um Dia na Prisão" é uma iniciativa que pretende sensibilizar os jovens para o exercício de uma cidadania responsável e prevenir a criminalidade. A metodologia, inovadora, baseia-se em sessões de debate com os destinatários, antes e depois do dia passado na prisão.

Iniciativa: Um dia na Prisão
Entidade: Direcção Geral dos Serviços Prisionais (DGSP)
Destinatários/Beneficiários: Jovens integrados em Escolas, Instituições tuteladas pela Seg. Social, ONG, IPSS e outras organizações
Categoria: Serviços ao Cidadão
Ponto de Situação: O projecto funciona actualmente nas prisões de Castelo Branco, Leiria, Sintra e Beja. Está a ser terminado um estudo de avaliação de impacto deste projecto, da responsabilidade da Profª Doutora Margarida Gaspar de Matos da faculdade de Motricidade Humana.
Site: www.pgisp.info e www.dgsp.mj.pt


A iniciativa "Um Dia na Prisão" pretende sensibilizar os jovens para o exercício de uma cidadania responsável e prevenir a criminalidade. É uma iniciativa promovida no âmbito do Projecto "Gerir para Inovar nos Serviços Previsionais", financiado pela Iniciativa Comunitária EQUAL.

A prisão, muitas vezes associada ao conceito de punição, pode também desempenhar um importante papel preventivo, oferecendo à sociedade um serviço de prevenção geral e especial.

A Direcção Geral dos Serviços Prisionais desenvolveu esta metodologia inovadora baseada em três fases: sessões de debate prévias com os destinatários, um dia passado na prisão e sessões subsequentes dinamizadas pelas organizações que enquadram os jovens.

Fase I: Sessões Prévias

As sessões prévias incluem dois momentos: a apresentação e sensibilização às organizações beneficiárias do projecto e a dinamização de sessões formativas com os professores/ monitores e jovens dos 12 aos 16 anos.

Fase II: Dia na Prisão

O dia na prisão decorre em três momentos:

1. Estou Privado da Liberdade - Os jovens são envolvidos numa experiência simulada, em ambiente prisional, que lhes permite sentir o que significa estar privado da liberdade. Conhecem um pouco de todas as facetas da vida prisional, na óptica de um recluso.
Esta acção é enquadrada por técnicos e pessoal do corpo da guarda prisional.

2. Percebo a importância de ter controlo sobre a minha vida - À conversa com reclusos seleccionados, os jovens apercebem-se das atitudes e comportamentos que significam não ter controlo sobre a construção das suas vidas e são convidados a reflectir sobre as consequências desta omissão. Aos reclusos, pede-se que partilhem as suas experiências pessoais, em especial a forma como se viram envolvidos num processo judicial e numa condenação e na tomada de consciência dos efeitos nas vítimas do(s) crime(s). Pede-se ainda que partilhem o que significa estar privado da liberdade — que emoções, que perdas… — a sensação de arrependimento, a responsabilidade da reparação e o que mudariam nas suas vidas se pudessem voltar atrás, designadamente, as estratégias para evitar o crime.

3. Declaro o Meu Futuro (Percebo o que vivi e reflicto sobre o futuro que pretendo para a minha vida) - O debate orienta-se para a experiência vivida pelos jovens durante este dia, convidando-os a reflectir sobre a sua visão pessoal (como querem que seja a sua vida no futuro). Inicia-se a actividade com a elaboração de um desenho sobre a forma como cada jovem vê o seu futuro em termos ideais. A discussão em sala permite reflectir sobre as estratégias para atingir essa visão e sobre os valores a eleger. Termina com um documento escrito pelo jovem intitulado “Declaro o Meu Futuro”.

Fase III: Sessões Subsequentes

As sessões subsequentes são dinamizadas pelas organizações envolvidas com base nas metodologias sugeridas no “Dossier do Professor” e têm os seguintes objectivos:
  • Garantir que a experiência vivenciada seja percepcionada de uma forma pedagógica e construtiva;
  • Reforçar a importância das escolhas: pensar nas consequências dos actos e formular alternativas aos comportamentos numa postura proactiva;
  • Reflectir sobre a adopção de estilos de vida e acções coerentes com a visão de futuro formulada na fase II;
  • Suscitar o interesse pela temática das condições de vida nas prisões e pela reinserção social de reclusos/as.

 

Recomendações

O projecto disponibiliza o “Dossier do Professor” às Escolas/Organizações que pretendam candidatar-se. Neste dossier está toda a informação necessária para que o projecto cumpra os seus objectivos.

Próximas Acções

  • Até final do ano de 2008 o projecto estará disponível em mais quatro Estabelecimentos Prisionais: Tires, Paços de Ferreira, Linhó e Faro, permitindo a cobertura de todo o território nacional;
  • Apresentação pública do resultado da avaliação de impacto do projecto, investigação a cargo da Faculdade de Motricidade Humana.

 

Anexos

Durante a concepção do projecto foram desenvolvidos diversos instrumentos de apoio à realização da iniciativa (materiais utilizados no Estabelecimento Prisional e nas Escolas).

Foi também assinado um Protocolo de colaboração entre a Direcção geral dos Serviços Prisionais, A Direcção Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular e o Instituto da Segurança Social, outorgado em 30 de Janeiro de 2007.

O projecto está disponível num manual de procedimentos e teve uma ampla cobertura por parte dos órgãos de comunicação social: 19 artigos na imprensa escrita, duas reportagens de rádio e sete reportagens/referências televisivas.

Selecção de registos dos jovens participantes, dos reclusos envolvidos, dos professores, do pessoal do corpo da guarda prisional e técnicos superiores - DGSP, 27 de Maio de 2008 (pdf, 64 KB)

Resultados

A concepção do Projecto teve início em Novembro de 2005 e a primeira experiência no terreno ocorreu em Junho de 2006. Até Maio de 2008 foram realizadas 44 edições que abrangeram mais de 300 jovens provenientes de 33 escolas/organizações de vários pontos do país.
  • Melhoria do nível de resiliência interna dos destinatários;
  • Criação de impacto ao nível do processo de tomada de decisão e na dinamização de aspirações e expectativas para o futuro;
  • Reforço da capacidade prospectiva em destinatários caracterizados por uma fase de desenvolvimento voltada para o presente;
  • Enriquecimento das possibilidades de intervenção reeducativa em contexto prisional;
  • Síntese dos inquéritos aplicados a jovens, pais, professores, reclusos e profissionais da DGSP - retirado da avaliação realizada pela Equipa Aventura Social, Faculdade de Motricidade Humana (pdf, 64 KB )
Pontos de contacto

Paula Vicente
Directora do Centro de Estudos e Formação Penitenciária
pvicente@dgsp.mj.pt 

Ângela Portugal
Directora do Estab. Prisional de Castelo Branco
aportugal@dgsp.mj.pt

João Paulo Sá
Director do Estab. Prisional de Leiria
joaosa@dgsp.mj.pt

Joaquina Malacueco
Directora do Estab. Prisional de Beja
jmalacueco@dgsp.mj.pt

Carla Pragosa
Gestora do projecto no Estab. Prisional deLeiria
cmpragosa@gmail.com

Amélia Marcos
Gestora do projecto no Estab. Prisional de Sintra

serafim_Amélia@hotmail.com


Lurdes Pina
Gestora do projecto no Estab. Prisional de Castelo Branco
lurdescpina@hotmail.com

Francisco Fialho
Gestor do Projecto no Estab. Prisional de Beja
eprbeja@dgsp.mj.pt 

 
 Última Actualização: sexta-feira, 27 de Maio de 2008