Empreendedorismo para a Reinserção Social de Reclusos(as)
Este projecto tem por base conteúdos elaborados pela CG Internacional em colaboração com a Gesventure e foi adaptado pela DGSP para os Serviços Prisionais Portugueses. Com a duração total de 10 meses, o projecto desenvolve-se em quatro fases: avaliação, descoberta, ideias e oportunidades planear o meu negócio. Quando é aplicado em meio livre, tem ainda uma 5ª fase: suporte ao negócio.

Iniciativa: Empreendedorismo para a Reinserção Social de Reclusos/as
Entidade: Direcção Geral dos Serviços Prisionais (DGSP)
Destinatários/Beneficiários potenciais: Pessoas que estão privadas da liberdade.
Categoria: Serviços ao Cidadão
Ponto de Situação: Projecto experimentado em quatro prisões piloto (Castelo branco, Beja, Sintra e Leiria). Preparação da estratégia de disseminação a outros Estabelecimentos Prisionais
Custos envolvidos: Aquisição do projecto ao exterior. Afectação a meio tempo de um/a técnico/a e de um elemento do Corpo da Guarda Prisional, durante 10 meses (duração de cada sessão do projecto) em cada Estabelecimento Prisional
Site: www.pgisp.info

A implementação do projecto piloto foi realizada nos Estabelecimentos Prisionais de Castelo Branco, Leiria, Sintra e Beja.

O projecto tem por objectivo criar opções viáveis e sustentáveis de reinserção sócio-profissional de reclusos/as e evitar a sua reincidência na prática de crimes. Trabalhar por conta própria, criando o próprio negócio, trabalhar por conta de outrem, retomar a frequência escolar ou a formação profissional são saídas possíveis no final deste projecto. Pode contudo ser aplicado noutros contextos e com outros públicos-alvo.

O projecto é constituído por quatro fases:

Fase de Avaliação (1-2 semanas): conjunto de actividades que visam a auto e hetero-avaliação dos/as reclusos/as e a apresentação de todas as fases do projecto aos participantes.

Fase da Descoberta (12 semanas): os participantes aprofundam a noção de empreendedorismo e aprendem a definir objectivos pessoais e profissionais. Descobrem por si próprios as respectivas características empreendedoras, os seus métodos de aprendizagem e as suas capacidades de adaptação. Treinam métodos de resolução de problemas e de tomada de decisão. As actividades realizadas estimulam a capacidade de comunicação, a criatividade, a autoconfiança e a auto-estima.

Fase das Ideias e Oportunidades (14 semanas): desenvolvimento das aptidões dos participantes no planeamento de um negócio e na definição de um projecto de vida. Os/as reclusos/as adquirem conhecimentos sobre temas como a geração de ideias, identificação de oportunidades, pesquisa de mercado, marketing e publicidade, planeamento financeiro e outros aspectos ligados à criação do próprio negócio.

Fase Planear o Meu Negócio (15 semanas): os participantes elaboram individualmente o seu plano de negócio, que inclui o trabalho de pesquisa, a redacção e o preenchimento da sua matriz financeira.

Este projecto, inserido na parceria PGISP (Gerir para Inovar os Serviços Prisionais), é co-financiado pela Iniciativa Comunitária Equal.

Recomendações

O projecto é de longa duração e deve ser, preferencialmente, acoplado a outras iniciativas de educação/formação. O projecto é comercializado pela Gesventure.

Próximas Acções

Depois de uma avaliação reactiva por parte dos reclusos/as participantes, estamos agora a iniciar uma avaliação de impacto com a contribuição de duas alunas de Mestrado.

Os reclusos continuam a ser acompanhados.

O projecto vai ser disseminado para outros Estabelecimentos Prisionais. 
 
Anexos (pdf, 576 KB)

  1. Selecção de registos dos reclusos/as participantes
  2. Selecção de registos dos/as Facilitadores do projecto (Técnicos e Guardas dos Serviços Prisionais)
  3. Selecção de registos de Directores dos Estabelecimentos Prisionais
  4. Imagens do projecto
Resultados

Os resultados dos inquéritos aplicados denotam a qualidade do serviço prestado: 89% dos reclusos/as consideraram os conteúdos do projecto muito importantes, 86% consideraram-se muito motivados durante a sua frequência, 84% consideraram os temas tratados muito pertinentes para o seu desenvolvimento pessoal, 86% sentiram que a sua auto-estima evoluiu muito e 76% consideraram que estão bem preparados para gerir um negócio.

Ao nível da evolução das competências, os resultados nas categorias "evoluiu bastante/evoluiu muito" foram também elevados: a determinação recolheu 88% das escolhas, logo seguida da responsabilidade (81%), do espírito de equipa (73%), da pró-actividade (69%), da comunicação (67%), da criatividade (65%) e da autonomia (64%).

Na opinião dos reclusos a formação recebida teve um impacto bastante positivo. A maioria (80%) considerou que os facilitadores revelaram muita clareza e objectividade na explicação das actividades e que tinham uma interacção muito positiva com os participantes. 71% consideraram que os facilitadores tiveram grande preocupação na adaptação dos métodos de aprendizagem ao grupo e 74% consideraram que os facilitadores tinham uma capacidade elevada para consolidar conhecimentos.

Dos reclusos/as participantes, 77 % consideraram a avaliação global do projecto bastante positiva.
O impacto da formação obtido nos profissionais envolvidos foi também bastante positivo na medida em que foi capaz de os preparar para a implementação do projecto. A avaliação reactiva da formação dos profissionais apresentou um índice global de satisfação de 78%.

O projecto deu também um contributo significativo para a melhoria da qualidade do serviço prestado externamente pelo organismo. Não houve medições por inquérito no exterior mas o interesse dos Media e da população neste projecto foi muito expressivo (9 reportagens/referências televisivas e 20 artigos na imprensa escrita). Uma das reportagens emitida pela SIC teve um share de 35%, valor considerado bastante bom, com um visionamento de 1 milhão e 500 mil pessoas em média. Acreditamos por isto que este projecto teve um impacto positivo na imagem dos serviços prisionais junto da sociedade.

O projecto foi distinguido com uma Menção Honrosa na 6ª edição do concurso “Boas Práticas no Sector Público” em Maio 2008.

Ponto de Contacto

Paula Vicente
Directora do Centro de Estudos e Formação Penitenciária 
Tel: (+351) 214 427 716
Fax: (+351) 214 411 333
pvicente@dgsp.mj.pt  

 Última Actualização: segunda-feira, 26 de Maio de 2008