Iniciativa:
A Brincar também se Aprende
Entidade: Hospital Pediátrico de Coimbra (HPC)
Destinatários/Beneficiários potenciais: Crianças/adolescentes infectados pelo VIH seguidos nos respectivos hospitais e suas famílias
Categoria: Serviços ao Cidadão
Ponto de Situação: O Projecto “A Brincar também se Aprende” continua em curso e realiza-se anualmente, na primeira semana de Setembro, com a duração de cinco dias.
Custos envolvidos: Os custos referem-se ao alojamento, alimentação, transportes e actividades lúdicas. Apoio do Mecenato.


Já se passaram mais de 25 anos sobre o início da pandemia do VIH/SIDA. Apesar disso essa infecção continua uma ameaça para as crianças e famílias.

A maioria das crianças com infecção VIH adquiriu-a por transmissão vertical. Com a terapêutica anti-retrovírica conseguiu-se que esta infecção seja considerada uma doença crónica.

A não adesão ao regime prescrito ou a utilização de anti-retrovíricos em níveis infra-terapêuticos vai aumentar o desenvolvimento de resistências a esses fármacos. Um correcto acompanhamento tem permitido que estas crianças estejam integradas na sociedade, tenham qualidade de vida e estejam a atingir a idade adulta.

As condições de humanização dos cuidados, deve constituir uma das preocupações das estruturas de saúde, tendo sempre em atenção o superior interesse da criança.

A Família enquanto facilitador de adaptação para que a criança/adolescente crie resiliência, torna-os alvos centrais de intervenção. Devem reforçar-se as suas competências e capacidades.

Baseados no princípio de uma responsabilidade educativa partilhada, contando sempre com o envolvimento parental, tornou-se premente a implementação de medidas que proporcionem uma progressiva melhoria do bem-estar social e psicológico das famílias.

Neste âmbito implementou-se o Projecto do Campo de Férias para Crianças com VIH/Sida e as suas famílias, intitulado "A Brincar também se Aprende".

Objectivos:
  • Promover estilos de vida saudáveis;
  • Melhorar a informação sobre a infecção VIH na criança, modos de a prevenir e minimizar;
  • Sensibilizar/educar para a adesão ao tratamento da criança e dos pais;
  • Ajudar os pais a encontrar estratégias para melhor lidarem com a doença e a terapêutica;
  • Reflectir com os pais/acompanhantes sobre atitudes parentais, relacionais e comunicacionais de forma a ajudar a criança/adolescente a lidar com as suas emoções e comportamentos;
  • Cultivar ambientes de afecto e lúdicos, como meio de promover a auto-estima e relações harmoniosas de forma a um desenvolvimento global;
  • Promover o bem-estar psicológicoafectivo destas crianças e jovens, de forma a proporcionar uma boa inserção na escola/comunidade e boa articulação com a família;
  • Promover o convívio inter/pares;
  • Fomentar a criação de grupos de Entreajuda.
O projecto está dotado com um corpo técnico multidisciplinar (Pediatra; Assistente Social; Enfermeiro; Educador de Infância) e coadjuvado com uma equipa de voluntários coesa, entusiasta e totalmente dedicada.

A educação pelos pares promove o desenvolvimento de mecanismos de coping face à presença adversa de factores de risco. É essencial uma educação virada para a cidadania em que todos temos por missão e responsabilidade trabalhar as competências das crianças / jovens e suas famílias.

Foi elaborado um regulamento do Campo de Férias no sentido de clarificar e regulamentar os procedimentos e as normas a adoptar.

Metodologia de Trabalho

O processo de planificação inicia-se com uma reunião de coordenação geral entre os técnicos e posteriormente alargada também aos voluntários. A planificação é da responsabilidade da equipa técnica e pressupõe uma articulação estreita com as famílias e crianças / adolescentes.

Foram constituídos três grupos: crianças, adolescentes e famílias. Os critérios de selecção são os seguintes:
  • Crianças em início de terapêutica e/ou com dificuldade de adesão;
  • Crianças e famílias em situação de exclusão e/ou isolamento social;
  • Famílias com disfunções nas suas dinâmicas(Conjugalidade/parentalidade);
  • Famílias em situação de monoparentalidade; e crianças desprovidas de meio familiar normal.
A metodologia de trabalho com estes grupos foi:
  • Intervenção psico–educativa para discussão, informação e formação;
  • Fomentar a educação entre pares;
  • Distribuição de folhetos informativos.
Execução

No decurso de cada acção anual, do Projecto, estão presentes cerca de 90 participantes (crianças, jovens e respectivas famílias) a equipa técnica e o grupo de voluntários. Durante cinco dias são desenvolvidas actividades como: acolhimento; sessões com famílias; sessões com adolescentes; actividades lúdico-pedagógicas (piscina, Dançoterapia, equitação, …), actividades desportivas; festas temáticas; e avaliação.

Avaliação

No final de cada Campo de Férias é pedido à população-alvo, a elaboração de vários registos que evidenciem o impacto da acção, nos diversos grupos. Esse material é depois utilizado para documentar apresentações, enriquecer documentos de trabalho e para ser reproduzido noutros materiais como a revista anual. Esta é, ainda, uma boa base para reflexão para o balanço da intervenção desenvolvida nesse ano e programação do seguinte.

Importa destacar que depois de realizada a avaliação com cada um dos grupos, constata-se sempre, que se contribuiu para a promoção da resiliência tornando os participantes mais confiantes no mundo, nos outros e sobretudo neles próprios.

O Hospital

O Hospital Pediátrico de Coimbra (HPC), inserido no Centro Hospitalar de Coimbra EPE, é um hospital central universitário que serve, actualmente, um total de 248.774 habitantes (dados de 2007) dos 0 aos 14 anos da região de saúde do centro. Funciona também como hospital de primeira referência para os centros de saúde do distrito de Coimbra (num total de aproximadamente 89.525 habitantes).

Recomendações

O pressuposto orientador da intervenção desenvolvida em cada campo de férias “ A Brincar também se Aprende” é a autonomização da família e da criança/ adolescente, colocando-os no centro da decisão enquanto sujeitos, a partir do desenvolvimento das suas próprias competências para a mudança, elaborando as estratégias de “coping” para lidar de forma adequada com a doença.

Através da atribuição de tarefas e responsabilidades nas actividades propostas aos grupos de adolescentes e familiares, reforçam-se as capacidades e o desenvolvimento dos próprios utentes, isto é, proporcionar um processo de empowerment no sujeito, aumentando o seu poder como participante activo na busca de respostas aos problemas que são sentidos e vividos.

A equipa do projecto considera que como principais pontos forte é possível identificar:
  • As convivências geradas permitem múltiplos ganhos como a relação afectiva que se estabelece entre as próprias famílias, gerando-se ou multiplicando o efeito de rede informal de suporte;
  • As relações entre equipas técnicas e famílias através das quais se consegue a promoção da saúde e aumento das competências parentais;
  • A relação entre pais e filhos sai reforçada após a partilha conjunta de múltiplas actividades;
  • Promoção de actividades lúdicas, educativas e desportivas;
  • Partilha de experiências e análise reflectiva entre as equipas técnicas das 3 unidades hospitalares (Importa sublinhar que a equipa técnica de cada hospital que segue estes doentes, dinamiza, planifica e está na operacionalização de todo o trabalho).
Por outro lado, poder-se-ia aumentar o nível de sucesso do mesmo se fosse possível:
  • Celebrar acordos com o Ministério da Saúde – DGS/ARS;
  • Implementar o projecto a nível nacional, multiplicando a realização de campos de férias;
  • Dotar o projecto de um corpo técnico (a equipa fundadora coadjuvada pelo grupo de voluntários) para programar, supervisionar e avaliar;
  • Articular e protocolar com vários parceiros.
Próximas Acções

  • Programação e implementação do IX Campo de Férias, previsto para Setembro de 2010;
  • Elaboração da Revista referente ao Campo de Férias – Edição nº 3;
  • Realização da acção “Um dia diferente!” – Festa de Natal para as crianças, jovens e suas famílias;
  • Concepção e planificação de acções destinadas aos adolescentes, que têm vindo a participar no Projecto, para os quais já foi diagnosticada a necessidade de actividades mais dirigidas.
Anexos

A Brincar também se Aprende – Campo de Férias para crianças com VIH - Hospital Pediátrico de Coimbra, 16 de Novembnro de 2009 (pdf, 368 KB)

Compilação de imagens do projecto - Hospital Pediátrico de Coimbra, 16 de Novembnro de 2009 (pdf, 1,35 MB)

Resultados
 
O projecto ficou em segundo lugar no Prémio Hospital do Futuro 2008/2009, na categoria Serviço Social.

Ponto de Contacto

Ana Rosete
Administradora do Hospital Pediátrico

Manuela Mota Pinto
Administradora do Hospital Pediátrico

Rosa Gomes
Assistente Social

Graça Rocha
Pediatra

Hospital Pediátrico de Coimbra
Tel.: (+351) 239 480 321
seccd@chc.min-saude.pt 

 Última Actualização: segunda-feira, 16 de Novembro de 2009